E como hoje é o dia da Duda... Vou postar uma carta que escrevi uns dias atrás para minha filha. Meu presente de Deus.
Contagem, 10 de Setembro de 2014
Oi minha filha linda, amada. Tudo bem?
Quero contar um pouquinho da sua historia. Você ainda não entende, mas em algum momento da sua vida, vai amar saber das palavras que meu coração quer te falar.
Você foi muito desejada e esperada pela mamãe e pelo papai. E por nossas famílias. E todos te amam muito. As vovós, os titios, as titias, os dindos, sua bizainha, o vovô...
Quando soubemos que, em breve você chegaria, cuidamos de tudo para que você chegasse bem. Desde a saúde da mamãe, até os cuidados com os cheiros do seu quarto. Passando por enxoval, decoração, um pré-natal bem acompanhado...
Durante a gestação, você mexia bastante. Por falar em mexidas, a primeira vez que senti você mexer, foi em uma manha linda e fazia um friozinho... Era meu aniversário! E esse, foi o primeiro dia mais emocionante da minha vida com você!
Durante toda a gravidez, me preparava para sua chegada, esperávamos um parto normal, mas isso não foi possível. Você estava sentadinha, e apesar da mamãe saber que era possível um parto normal com bebês pélvicos, o hospital que escolhi com muito carinho para te “ganhar”, achava arriscado. E, sinceramente, a mamãe também achava.
Mas eu deixei você escolher o dia da sua chegada. E em um sábado lindo, de manhãzinha, com papai em casa, você gritou: “Mamãe, quero sair...”! E rapidamente estourou a bolsa, começando sua vinda calma, doce e serena para os braços da mamãe.
Você veio através de uma cesárea, sem traumas pra mamãe, foi acolhida por médicos que cuidaram muito bem de nós duas.
Veio para meus braços toda linda, ainda branquinha de placenta, bochechuda, e nos meus braços, começou a abrir seus olhinhos. Lindos! Que nos uniram (ainda mais) desde aquele primeiro instante.
Até àquela hora, a mamãe não tinha nem um sinal de leite. Mas você chegou, mamou, e mamou, e mamou, e seu leitinho especial com corzinha de caramelo saiu, e saiu e saiu. Parecia mágica. E eu me emocionei muito com esse ato de doação. Doar meu peito, leite, meu tempo, meu amor, meu carinho, meu quentinho, meu ser a você filha! E isso é tão bom... me fez sentir mulher! Me sentir viva.
Não posso negar que nem tudo saiu às mil maravilhas. Amamentar não é tarefa fácil. É preciso uma vontade enorme, gigantesca. À medida que você mamava, mesmo com a pega correta ( com boquinha de peixinho) os meus seios racharam. Deram casquinha, pus, sangraram. Mas mesmo assim, muitas vezes em lágrimas eu te amamentei. Eu te dei todo meu amor. E eu amava te amamentar. Acolher-te no meu colo. Se estava sendo ruim pra mim, imagina para você que estava fora do seu quentinho, que agora habita esse mundo com variações de temperatura, barulhento, cheio de gente te pegando. E o seu sorriso....ah! fazia o mundo parar.
Muitas vezes você não mamava o suficiente para esvaziar o peito da mamãe, sua boquinha era pequena, e sua barriguinha também. E os seios da mamãe cheios de leite, estourando. Doendo. Eu não podia esvaziar com a bombinha, senão, meu corpo nunca pegaria seu ritmo. Eu fazia compressa de água fria para amenizar a dor. Mas nunca, nunca passou pela minha cabeça desistir de alimentá-la com algo produzido pelo meu próprio corpo.
Mesmo com as dores, eu sabia que o melhor para você, era o leite materno. Ele te daria os anticorpos suficientes para evitar doenças. Ele seria sua “ primeira vacina”, vinha sempre na temperatura correta, na quantidade que você quisesse e precisasse.
O leite da mamãe não é apenas seu alimento. É seu acalento, seu conforto, seu porto – seguro. Era e ainda é pra onde você corre quando está com fome, com sede, com medo, ou estranhando. E a mamãe está sempre a postos para te atender.
Essa primeira etapa, foi só uma fase difícil para você e pra mim. E com muito amor e dedicação, a gente se entendeu, e rapidamente viramos o que muitos chamam de “propaganda de margarina”. Passadas as dores, te amamentar começou a ser lindo e muito prazeroso. E o seu sorriso...
Você acordava ( e ainda acorda) de madrugada para mamar, e a mamãe nunca levantou com raiva. Era um prazer tão grande que o cansaço sumia. E sua boquinha de leite era a visão do paraíso.
O papai foi muito importante nessa fase. (assim como em todas) e sempre me apoiou muito. Emocionalmente e fisicamente. Colocando sempre almofadas macias para que nosso momento do mamazinho ficasse mais confortável.
O tempo foi passando, e as noites em claro não foram, nem são, um problema pra mamãe, eu juro. Não sou famosa, nem muito conhecida, para fantasiar a maternidade. Sou apenas a sua mamãe. Uma mamãe que não se importou com as dores do mamá, porque sabia que era o melhor para você. Que não se importa com as noites em claro, porque entendo suas necessidades.
Vieram as cólicas, papai e eu sofríamos por te ver sofrendo. Mas mantivemos a calma, porque sabíamos que era seu corpinho se adaptando ao novo. Era você se adaptando a vida fora da barriga da mamãe. Foram milhares de bicicletinhas, quentinhos na sua barriguinha, musiquinhas serenas, muita calma, paciência, colo, abraços, amor, até que... passou!
E você está crescendo. Rápido de mais.
Sem que eu insistisse ou quisesse, você deu seu jeito de me mostrar que queria sair da cama da mamãe e ir pro seu bercinho aos 2 meses. Você me mostrou que lá você ficava bem mais confortável, e dormia melhor. E foi difícil pra mamãe aceitar isso... eu queria você coladinha comigo. Mas, respeitando sua vontade, seu tempo, com muita paciência e amor, eu te entendi. E te levei pra dormir no seu bercinho, no seu quarto.
E eu te ninei, te amamentei, te beijei, e te coloquei pra dormir no bercinho. E quando eu menos esperava, você novamente, deu seu jeitinho de me mostrar que queria uma nova rotina. Você agora queria mamar, brincar no seu bercinho e adormecer sozinha por lá, sem que a mamãe te ninasse, apenas segurando a mão da mamãe e ouvindo sua musiquinha. E novamente, respeitando seu tempo, com muita paciência e amor, eu te entendi.
Ah! Que saudade de você pequenininha, recém – nascida dormindo com a mamãe. Na cama, nos meus braços. Aquela boquinha de leite...
E a cada dia que se passa, você cresce mais e faz coisas lindas. Aprendeu a sorrir, a rolar, a arrastar na cama, a segurar os brinquedos, a dar gargalhadas gostosas, a pedir mamá, a pedir troca de fralda. Recentemente aprendeu a pedir colinho e brinquedos, a fazer Brrrruuuuu, e lá se vão quase 6 meses. Na verdade, hoje faltam 12 dias para comemorarmos meio ano de vida, de magia, de alegria, de amor...
Sabe filha, fui muito criticada por te amamentar exclusivamente ate agora, (e amamentarei exclusivamente nos próximos dias), não te dei água, não dei chazinho, nem suquinho, papinha, e não me acho melhor por isso. Mas me sinto privilegiada por poder ter informações suficientes para saber o quanto amamenta-la seria importante. Poder esperar seu corpinho e sua mente estarem prontos para receber os alimentos.
Não julgo nenhuma mãe por ter escolhido ( ou precisado) fazer diferente de mim. Consigo entender que cada pessoa tem suas histórias e suas opiniões, diferentes ou não das minhas, mas isso não aconteceu comigo. Fui julgada, criticada e até mesmo desrespeitada por querer te dar só seu mamazinho até seus 6 meses.
Fui julgada por não sentir cansaço com as noites em claro. Fui julgada por ter cuidados de você, te dado todos os banhos, te carregado no colo noites inteiras por causa das cólicas ou narizinho intupido sem reclamar. Fui julgada por não deixar você chorando no berço. Estranho isso né? Fui julgada por querer te dar 100% do meu tempo, da minha vida, da minha alma, do meu ser!
Acho que as pessoas estão acostumadas com mães exaustas e sim, elas existem. Com falta de tempo para se cuidar e descansar. E como não foi meu caso, fui e ainda sou julgada por isso. Talvez, meu cansaço tenha sido maquiado por meu amor e minha felicidade. Portanto, quase não foi sentido. Digo quase, porque sim! Sou um ser humano. E tiveram dias de cansaço. Mas seu sorriso banguela tratou logo de mandar esse tal de cansaço embora.
Filha, mamãe escolheu se dedicar 100% a você. Papai aprovou! E pra gente: a casa? Pode esperar. O cabelo, a maquiagem, a unha, também podem esperar. Você não! Você vai crescer logo. E só ficaram lembranças de momentos doces, lindos, gostosos, mágicos. Cheios de carinho e atenção.
E isso tudo, não garante nada. Não garante sua saúde, seu caráter, seu amor por mim. Mas garante que estou fazendo o melhor que eu posso. O que acredito ser o melhor para você, pra mim e pro papai.
Seus amiguinhos com certeza terão histórias diferentes, tão lindas quanto as suas, e não os julgue nunca. Eles são tão amados quanto você!
E tem dado certo. Com muita serenidade, paciência, carinho, amor, dedicação, corujices, força de vontade, coragem para impor minhas escolhas, muito estudo, busca de informações coerentes, abraços do papai, ajuda do papai, amor do papai. Não posso deixar de te contar, que, parte dessa força, veio da vovó Marisa, dizendo sempre: “ É assim mesmo, daqui a pouco passa...”
E é a mais pura verdade. Daqui a pouco passa, e passou. Você já vai fazer 6 meses. Minha RN passou, as cólicas passaram, as dores da amamentação passaram, você dormindo na minha cama passou. Quase 6 meses se passaram. E ficaram lembranças lindas desse tempo bem vivido, intensamente, e muito amor, um amor que transborda, que não cabe no peito, que não se explica!
E agora, vamos entrar em uma nova fase. Com novas dores, noites em claro, mas também, muitas alegrias e felicidade e amor... que serão bem maiores que as dificuldades.
E que venham os dentinhos, as papinhas, as próximas novidades, descobertas, inseguranças, aprendizado e muito mais amor para os próximos 6 meses, e mais 6 meses e mais 6 meses, e mais... de uma longa vida leve, bem vivida, confiando sempre em Deus para nos abençoar.
A mamãe estará sempre com você, segurando a sua mãozinha.
Com muito...muito amor,
Mamãe.